Elton Almeida - Escreve sobre Cinema Para DOC de Bolso

Postado por: Davi Sant´anna  em 30 de novembro de 2008
Na categoria: Diversos

Agora a DOC de Bolso pode escrever sobre cinema com mais propriedade, tal afirmação se deve ao fato de contar em nosso time com o jovem escritor Elton Almeia, que escreverá sobre a sétima arte!

Elton tem 18 anos, mora no interior paulista, se prepara para ingressar em uma graduação em Cinema e Vídeo. Como entusiasta da sétima arte pretende construir uam carreira no mundo cinematográfico, alem da DOC de Bolso também escreve sobre cinema em sua cidade.

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Leia a Crítica sobre o Filme “Gravando”

Postado por: Elton Almeida  em 30 de novembro de 2008
Na categoria: Cultura

Filme espanhol [REC] é uma boa surpresa do ramo de suspense e terror

O cinema de entretenimento, também chamado de “cinema pipoca”, visa, como sua alcunha denuncia, meramente divertir o espectador e, sendo assim, raramente se preocupa com aspectos mais complexos. Disso, resulta aquilo a que estamos habituados a ver todos os anos: enxurradas de filmes para divertir de qualidade tão baixa que, muitas vezes, nem alcança seu objetivo principal, constituindo-se em um verdadeiro lixo cinematográfico. A questão é: só porque uma produção visa entreter, não sendo um filme de arte ou um filme mais sério, não significa que ela tem de ser mal feita. Da mesma forma, não é porque o público alvo desse tipo de atração seja leigo em linguagem cinematográfica que ele não achará melhor o filme bem feito. Há numerosos exemplos, como Titanic – que, embora seja uma produção melodramática recheada de clichês, constitui-se em uma muito bem realizada e de estrondoso sucesso de bilheteria –, a trilogia de O Senhor dos Anéis e, mais recentemente, Batman – O Cavaleiro das Trevas, um thriller arrasa-quarteirão que transpôs os limites do blockbuster.

Um dos gêneros mais bem quistos do “cinema pipoca” é justamente o suspense/terror. E também um dos mais mal sucedidos. Qualquer pessoa que goste e acompanhe o gênero concordará que a maioria esmagadora das produções desse tipo são sempre o mais do mesmo, sem inovação alguma, com histórias e atores fraquíssimos e, muitas vezes, acabam se tornando cômicas, de tão ruins que são. Há cerca de 4 anos, surgiu algo interessante no meio, uma realização independente, desligada dos grandes estúdios e de certa originalidade: Jogos Mortais. O filme conseguiu unir um ótimo ritmo, um clima de tensão e suspense constantes, criatividade e surpresas, que garantiram o sucesso e prenderam o público. Logo, como era de se esperar, surgiu uma franquia que, recentemente, teve seu quinto filho. Mas, como sempre acontece com franquias esticadas de filmes de suspense/terror, os últimos filmes declinaram imensamente.

Mas, eis que aparece uma boa surpresa do ramo, o espanhol [REC]. Aliás, foi da Espanha que veio o também ótimo O Orfanato, embora fosse mais um drama com toques de suspense do que uma realização própria desse tipo. [REC] retrata uma apresentadora de um programa e seu cameraman nas gravações de mais uma edição de seu programa, dessa vez visando mostrar como é a rotina dos bombeiros. Quando estes recebem uma chamada, a apresentadora e seu colega de trabalho acompanham dois bombeiros até o local da ocorrência, acreditando todos não passar de uma mera tarefa. Ao chegar ao local, um pequeno prédio residencial, coisas estranhas acontecem, pessoas ficam perturbadas se convertendo em uma séria ameaça e o prédio é isolado pela polícia e vigilância sanitária, sem nem ao menos dar uma justificativa. Ali, as pessoas presas naquele local passarão horas de terror e angústia.

O filme acumula muitos pontos positivos, a começar pela estrutura: todo o filme é visto pela câmera do programa de TV, fugindo às filmagens convencionais. Logo, a sensação de realismo é imensa, tendo o expectador a impressão de estar vendo algo que realmente aconteceu e foi filmado. Ainda, mesmo sendo todo registrado por uma câmera de programa televisivo, o filme não é ausente de direção da cena. O que parece ter sido filmado espontaneamente, conforme as coisas aconteciam, na verdade foi detalhadamente pensado, ensaiado e coordenado como em qualquer filme. O grande talento do elenco também é um trunfo em prol do filme e de seu realismo, levando o espectador a esquecer que ali estão personagens e não pessoas reais. estrunfo em prol do filme e de seu realismo, levando o espectador a esquecer que ali n uma seiros at

Em termos de ritmo, o filme acerta em cheio. O ritmo estabelecido funciona como estabelecedor da tensão e agente intensificador do realismo. Cada cena tem a duração exata, e, dificilmente, torna-se cansativo ou entediante acompanhar a trama.

Devido à sua estrutura, há uma maior dificuldade em compor e desenvolver as personagens e a trama, estabelecendo relações, explicações etc. Mas o roteiro consegue superar esses obstáculos e desenvolve meios de adequar os princípios da dramatização cinematográfica ao formato do filme. Assim, cada personagem é explorada a partir de seus gestos, jeitos e atitudes, bem como por um momento em que praticamente todos os presentes no prédio são entrevistados pela apresentadora. A trama evolui a cada minuto, tornando-se cada vez mais densa e, também, mais assustadora.

Utilizando basicamente a iluminação da locação e da câmera, a fotografia se desenvolve de forma natural e realista também, em conjunto aos outros fatores. O design de som é de grande primor, conseguindo criar e reproduzir sons perfeitamente de acordo com a situação, embora, em determinados momentos, soe falso que aquela perfeição sonora tenha sido capturada pelo microfone da câmera, o que, no entanto, não pode ser condenável, visto a necessidade de tal efeito para alcançar o objetivo das cenas em questão.

Tendo seus últimos dez minutos como momentos de intenso horror e medo, bem como de tensão e suspense, a trama finaliza-se de forma também satisfatória, evitando grandes chavões e fugindo de um happy end solucionador do conflito, o que seria totalmente decepcionante. É entretenimento de qualidade e vale a pena conferir!

COTAÇÃO:

Título Original: [REC] (Espanha, 2007) /Direção: Jaume Balagueró e Paco Plaza

Trailer do Filme

Rotina de ser

Postado por: Camila Meloni  em 30 de novembro de 2008
Na categoria: Crônicas

Respirei fundo ao acordar, mesmo antes de abrir os olhos, e senti que mais um dia começava na triste e insana rotina de ser. Eu, ainda sem coragem de encarar o sol que passava por minha cortina e chegava ao meu rosto como uma penumbra, suspirei… Um suspiro de agonia do meu ser, entrelaçada com a minha vontade de não querer ser… Assim, criei coragem e abri meus olhos para mais uma vez encarar o mundo.

Depois dessa luta entre minha vontade e minha obrigação, tomei um banho demorado para tentar fazer com que a água gelada ultrapassasse meu pobre corpo e alcançasse minha alma, fazendo-a despertar e tomar para si a idéia de que vivo e que fora isso, tudo é tão irreal. Mas, cada gota de água foi inválida, pois continuei sendo a mesma menina de sempre, a menina que se entrega ao mundo de forma cega e que cai de forma instantânea.

De repente senti que toda minha carga de canseira e estresse havia se acumulado em meu corpo, me fazendo tão mais pesada, tão mais próxima de cair e pendendo ao chão, que minhas energias foram se finalizando, e com o fio que restava dela resolvi não ir trabalhar. Vesti a roupa que estava sobre minha escrivaninha e sai sem rumo pelas ruas até chegar aqui onde estou, na beira de um precipício, sentada bem na beirada, com as pernas perdidas por entre o nada que há aqui em baixo.

Olho o céu e tomada pelo seu azul celeste, grito: Me leva que sou sua! O eco se perde nesse conjunto de vazio, tornando-se constante. Assim entendo que como para cada grito um eco vai e volta, para cada ida nossa há uma volta, concluindo que nada é eterno.

Sinto todo o vento que em mim bate, e toda a sua leveza de ser, me fazendo tornar alguém, uma pessoa, me sinto sendo. Aqui realmente eu posso ser. Aqui o sol ilumina meus traços e me rendo a toda sua perfeição. E nesse lugar; e nesse instante sim, eu posso ser inferior. Aqui, diante da beleza dos extremos, eu sou inferior.

E nesse momento onde tudo é eternamente um instante, quero eternizar meus segundos assim, como se todo dia fosse hoje, e todo minuto seria: eu abobada com a tonalidade do céu que me faz girar, me faz entorpecer… Cada momento me sinto tomada por mim; me sinto concreta; real. Eu diante do mundo e o mundo diante de mim, como se eu pudesse tocá-lo e modificá-lo. Não, aparentemente, a todo o resto da população, pois nesse instante não tem resto da população. Mas que eu o mudasse para mim; em mim. De acordo com minha ânsia por metas não-idealizadas.

Olho para baixo e vejo o mesmo vazio que encontro quando olho para dentro de mim. Um vazio que anseia ser completado por mais do que partículas de infelicidade, por mais do que esperanças de um sonho idealizado ou uma besteira consumada; Um vazio que deseja ser repleto por escolhas férteis e sonhos promíscuos tanto quanto eu.

Venham, sonhos! Integrem-me! Tomem-me! Façam de mim a escrava das vontades, e mais do que qualquer outra coisa, me transformem naquela que nunca alcança por completo seus objetivos, e se os alcançar faça aparecer mais e mais daqueles, para que eu nunca pare de correr, para que a estrada nunca chegue ao final; para que o fim seja tão mais próximo de outro começo, do que perto da metade do percurso. Venham, meus futuros sonhos, tomem-me como um pedaço de ser errante que sou e me transformem no mais puro sarcasmo eufórico existente.

Quero estar viva até mesmo quando meu corpo não puder mais existir. Quero estar presente mesmo quando minha alma alcançar o mais singelo segredo que perturba a população. Quero estar sempre na conversa dos cultos, nos sonhos dos simples e na cabeça dos jovens. Aqui vejo o futuro, reencontro o passado e dou “bom-dia” ao presente. Aqui fico por alcançar pessoas, seres, mundos. Aqui, crio o mundo, crio a vida, os seres, pessoas.

Sem um final feliz como os das histórias infantis, sem um final trágico como nos romances românticos do século XIX, finalizo aqui sem mais palavras por dizer, nem pessoas por amar, e nem vida por viver. E nesse mundo insano sigo com a minha rotina de ser , de viver, de não amar. Sigo minha rotina de sofrer e idealizar.

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