Fábula dos Dois Leões - Crônicas de Stanislaw Ponte Preta
novembro 18, 2008 by Davi Sant´anna
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Diz que eram dois leões que fugiram do Jardim Zoológico. Na hora da fuga cada um tomou um rumo, para despistar os perseguidores.
Um dos leões foi para as matas da Tijuca e outro foi para o centro da cidade. Procuraram os leões de todo jeito mas ninguém encontrou. Tinham sumido, que nem o leite.
Vai daí, depois de uma semana, para surpresa geral, o leão que voltou foi justamente o que fugira para as matas da Tijuca.
Voltou magro, faminto e alquebrado. Foi preciso pedir a um deputado do PTB que arranjasse vaga para ele no Jardim Zoológico outra vez, porque ninguém via vantagem em reintegrar um leão tão carcomido assim. E, como deputado do PTB arranja sempre colocação para quem não interessa colocar, o leão foi reconduzido à sua jaula.
Passaram-se oito meses e ninguém mais se lembrava do leão que fugira para o centro da cidade quando, lá um dia, o bruto foi recapturado. Voltou para o Jardim Zoológico gordo, sadio, vendendo saúde.
Apresentava aquele ar próspero do Augusto Frederico Schmidt que, para certas coisas, também é leão.
Mal ficaram juntos de novo, o leão que fugira para as florestas da Tijuca disse pro coleguinha: — Puxa, rapaz, como é que você conseguiu ficar na cidade esse tempo todo e ainda voltar com essa saúde?
Eu, que fugi para as matas da Tijuca, tive que pedir arreglo, porque quase não encontrava o que comer, como é então que você… vá, diz como foi.
O outro leão então explicou:
— Eu meti os peitos e fui me esconder numa repartição pública. Cada dia eu comia um funcionário
e ninguém dava por falta dele.
— E por que voltou pra cá? Tinham acabado os funcionários?
— Nada disso. O que não acaba no Brasil é funcionário público. É que eu cometi um erro gravíssimo. Comi o diretor, idem um chefe de seção, funcionários diversos, ninguém dava por falta. No dia em
que eu comi o cara que servia o cafezinho… me apanharam.
Texto extraído do livro “Primo Altamirando e Elas”, Editora do Autor – Rio de
Janeiro, 1961, pág. 153.
Panicidade
novembro 4, 2008 by Davi Sant´anna
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Sujeito 1 – Que idéia foi essa de passear nessa cidade a essa hora da noite, e o pior a pé! Tudo aqui é complicado, para andar três quadras preciso usar um guia de bolso, não tem ninguém na rua a essa hora! Ops.. Acabo de avistar alguém! Vou apressar meus passos e alcançá-lo, quem sabe ele pode me ajudar.
Sujeito 2 – Agora não é só pressentimento, tem alguém me seguindo! Se ele chegar mais perto vou gritar por socorro, melhor vou chamar a policia e se não der tempo? Bom eu desmaio e não vejo ele me assaltar, mas se eu desmaiar ele pode me seqüestrar ou quem sabe lá o que ele pode fazer! Vou acelerar mais os meus passos, não quero ser manchete de jornal, não! não quero nem imaginar meu corpo ensangüentado numa foto sensacionalista!
Sujeito 1 – Mas que sujeito egoísta esse! Bem que me falaram que em cidade grande as pessoas são assim!, mas tudo bem como ele é meu único recurso, vou correr até ele e perguntar onde eu posso pegar um ônibus para o bairro de minha limão.
Sujeito 2 – Meus Deus! Agora ele vai me atacar, vou virar essa esquina e dar um pinote pra me esconder!
Sujeito 3 – Calminha ai Rapaz isso é um assalto!
Sujeito 2 – Desmaia
Sujeito 1 – Eita!!!!!!!
Sujeito 3 - Caramba é a policia, deixa eu fugir!
Sujeito 1 – Só posso estar cagado!
Moral da Historia: No Caos da metrópole, o pânico é recíproco.
Reação em Cadeia
novembro 4, 2008 by Davi Sant´anna
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De repente um espirro!
Uma resposta dizendo “saúde!”
Outro, assustado por ter seu cochilo interrompido
Um olhar intrépido observa os personagens da cena
Novamente um espirro!
Outra resposta, mas dessa vez colorida por um sutil sorriso “saúde!”
Novamente um pulo não assustado e sim inconformado pelo incomodo em seu cochilo
O olhar que outra hora foi intrépido, se acanha, pois junto ao olhar também vem um espirro.
Talvez quem sabe meu espirro foi decorrente de uma alergia
Talvez a tinta fresca na parede do quarto
Ou por ter arrastado os moveis
Ou simplesmente uma gripe
Que vem de gerações de espirros anteriores
De outras narinas
Outras falas
O mais incrível que tudo esta relacionado
Se fui contagiado, meu espirro contagiou o cochilo, o agradável e o olhar intrépido.
Sem esquecer que talvez a ação de mudar os moveis ou mesmo a tinta,
Estejam relacionados.
Foi um simples espirro, mas o suficiente para perceber que nossas ações são pura reações provocadas pelo o outro que também reage.
















