Não mais ser

dezembro 22, 2008 by Camila Meloni  
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Opaco! Sem luzes, apenas as sombras conduzem o caminho de sordidez. Sinto que, enfim, desaprendi a mágica do amar. E como punição severa, meu vácuo interno tornou-se a essência do meu ser, que às vezes, simplesmente não é!

As flores já não têm a cor da esperança, a cor do perdão que está por vir. As flores, hoje, têm a cor do tempo, da mágoa, da chuva que não molhou. Quantas flores hão de se finalizar, esperando a cura da canseira vinda da monotonia de fingir ser.

Descanse em paz, minha euforia cansada, que o tempo já foi seu; que a cura já lhe foi útil; e que a verdade nunca a impediu de ser euforicamente viva. Descanse em paz, minha alma velha que se destina ao destino das coincidências. Que o mundo já foi seu, e hoje já não existe nem você e nem o mundo.

De onde vêm tantas lágrimas, se são tão poucos os olhos que se põem a chorar? Não são minhas as lamentações expostas pelas feridas internas que não se curam. São lamentações da minha alma, por não ter mais um ser que por aqui comanda, que por aqui vive, que por aqui reage.

Não temos mais tempo para dizer que o tempo foi em vão. Não temos mais palavras pra dizer que palavras nem sempre é a melhor solução. Hoje me calo diante da dor que me cerca, consome, e me mata aos poucos. Calo-me diante da fúria acumulada de todo o tempo preso nas garras da monótona função de ser. E que hoje não mais é.

Rotina de ser

novembro 30, 2008 by Camila Meloni  
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Respirei fundo ao acordar, mesmo antes de abrir os olhos, e senti que mais um dia começava na triste e insana rotina de ser. Eu, ainda sem coragem de encarar o sol que passava por minha cortina e chegava ao meu rosto como uma penumbra, suspirei… Um suspiro de agonia do meu ser, entrelaçada com a minha vontade de não querer ser… Assim, criei coragem e abri meus olhos para mais uma vez encarar o mundo.

Depois dessa luta entre minha vontade e minha obrigação, tomei um banho demorado para tentar fazer com que a água gelada ultrapassasse meu pobre corpo e alcançasse minha alma, fazendo-a despertar e tomar para si a idéia de que vivo e que fora isso, tudo é tão irreal. Mas, cada gota de água foi inválida, pois continuei sendo a mesma menina de sempre, a menina que se entrega ao mundo de forma cega e que cai de forma instantânea.

De repente senti que toda minha carga de canseira e estresse havia se acumulado em meu corpo, me fazendo tão mais pesada, tão mais próxima de cair e pendendo ao chão, que minhas energias foram se finalizando, e com o fio que restava dela resolvi não ir trabalhar. Vesti a roupa que estava sobre minha escrivaninha e sai sem rumo pelas ruas até chegar aqui onde estou, na beira de um precipício, sentada bem na beirada, com as pernas perdidas por entre o nada que há aqui em baixo.

Olho o céu e tomada pelo seu azul celeste, grito: Me leva que sou sua! O eco se perde nesse conjunto de vazio, tornando-se constante. Assim entendo que como para cada grito um eco vai e volta, para cada ida nossa há uma volta, concluindo que nada é eterno.

Sinto todo o vento que em mim bate, e toda a sua leveza de ser, me fazendo tornar alguém, uma pessoa, me sinto sendo. Aqui realmente eu posso ser. Aqui o sol ilumina meus traços e me rendo a toda sua perfeição. E nesse lugar; e nesse instante sim, eu posso ser inferior. Aqui, diante da beleza dos extremos, eu sou inferior.

E nesse momento onde tudo é eternamente um instante, quero eternizar meus segundos assim, como se todo dia fosse hoje, e todo minuto seria: eu abobada com a tonalidade do céu que me faz girar, me faz entorpecer… Cada momento me sinto tomada por mim; me sinto concreta; real. Eu diante do mundo e o mundo diante de mim, como se eu pudesse tocá-lo e modificá-lo. Não, aparentemente, a todo o resto da população, pois nesse instante não tem resto da população. Mas que eu o mudasse para mim; em mim. De acordo com minha ânsia por metas não-idealizadas.

Olho para baixo e vejo o mesmo vazio que encontro quando olho para dentro de mim. Um vazio que anseia ser completado por mais do que partículas de infelicidade, por mais do que esperanças de um sonho idealizado ou uma besteira consumada; Um vazio que deseja ser repleto por escolhas férteis e sonhos promíscuos tanto quanto eu.

Venham, sonhos! Integrem-me! Tomem-me! Façam de mim a escrava das vontades, e mais do que qualquer outra coisa, me transformem naquela que nunca alcança por completo seus objetivos, e se os alcançar faça aparecer mais e mais daqueles, para que eu nunca pare de correr, para que a estrada nunca chegue ao final; para que o fim seja tão mais próximo de outro começo, do que perto da metade do percurso. Venham, meus futuros sonhos, tomem-me como um pedaço de ser errante que sou e me transformem no mais puro sarcasmo eufórico existente.

Quero estar viva até mesmo quando meu corpo não puder mais existir. Quero estar presente mesmo quando minha alma alcançar o mais singelo segredo que perturba a população. Quero estar sempre na conversa dos cultos, nos sonhos dos simples e na cabeça dos jovens. Aqui vejo o futuro, reencontro o passado e dou “bom-dia” ao presente. Aqui fico por alcançar pessoas, seres, mundos. Aqui, crio o mundo, crio a vida, os seres, pessoas.

Sem um final feliz como os das histórias infantis, sem um final trágico como nos romances românticos do século XIX, finalizo aqui sem mais palavras por dizer, nem pessoas por amar, e nem vida por viver. E nesse mundo insano sigo com a minha rotina de ser , de viver, de não amar. Sigo minha rotina de sofrer e idealizar.

Ser!

setembro 12, 2008 by Camila Meloni  
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Nesse exato instante de ser, quem sou? Além do ser errante que é característica principal, não posso ser mais nada. Acabou a alegria e ficou a angustia insistente e inquieta. Acabou a vodka e todas as felicidades aparentes que ela trás consigo, e sobrou uma leve (como o passeio de vários elefantes) dor de cabeça, tão leve quanto minha ironia.

E assim caminho, com uma placa de “descansa em paz” pendurada em minha alma, dando indícios de Adeus para minha inocência invejável que se foi. Hoje, sou a menina que cresceu, mas que não se livrou da habilidade de ser feliz ou triste, sem um equilíbrio, aparentando então, ser uma eterna criança que não sabe controlar seus sentimentos. Mergulho em minhas emoções, e disso não sei me esquivar.

Sei que minhas palavras são desconexas, mas… Quem se importa? Nem ao menos sei quem sou, como então, posso usar a racionalidade de um ser se talvez eu nem seja? Convenhamos, é tudo muito complicado para os olhos humanos, então seria mais fácil fechar os olhos e deixar que tudo aconteça, sem mais mistérios.

Fora a tudo dito, eu desejo que você seja! Seja o que quiser! O que puder! Que você seja, do mais profundo ser que há, e que alcance o íntimo de si, e descubra-se, para poder expandir para o seu corpo e ao mundo a verdadeira face de quem é!